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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Jesus, já carregamos nossas pistolas d´agua para atacar o Inferno novamente.



Trecho do livro “Confissões” do Pr.Mark Driscoll

“No outono de 2004, a Rede de Liderança reuniu um punhado de pastores de igrejas grandes para uma reunião em Nova Iorque. 
Foi uma honra poder fazer parte de um grupo tão diverso de pastores tão bem sucedidos quanto Wayne Cordeiro (Evangelho quadrangular), Tim Keller ( Presbiteriano), Michael Slaughter (Metodista), Walt Kallestad (Luterano) e matt Hannan e Bob Roberts (Batistas). Cada um deles trouxe muitos insights oportunos que me ajudaram a esclarecer os planos que estava fazendo para o crescimento de nossa igreja até a barreira dos 10 mil membros. Num dos intervalos, sentei-me para almoçar com Larry Osborne, pastor da igreja North Coast (da Costa Norte), que tem seis mil membros, em San diego, Califórnia. Nossa igreja havia ultrapassado rapidamente a marca dos 3 mil membros e esperávamos chegar a encostar nos 4 mil por semana até a primavera de 2005 que já estava chegando.
                Quando sentei-me com Larry, imediatamente despejei uma enxurrada de perguntas sobre crescimento da igreja, esperando maximizar o tempo que teríamos juntos. Larry, impressionantemente, fez sua igreja aumentar de uma pequena congregação para uma igreja de 6 mil membros ao mesmo tempo em que manteve uma doutrina sã e incorporou um pequeno mas eficiente grupo ministerial.
                Apesar disso, Larry ignorou minha multidão de perguntas e começou a fazer algumas perguntas, aparentemente sem relação com o tema do crescimento de igreja. Perguntou-me quantos filhos eu tinha, a idade deles, como estava meu casamento e se ser um bom marido e pai era mais importante pra mim do que criar uma igreja grande.
                Eu fiquei impressionado. Durante os últimos anos tinha me reunido com muitos pastores bem sucedidos para aprender com eles. Nenhum deles havia me perguntado nada sobre a minha vida pessoal nem sobre a minha família ou mesmo se eu estava moralmente apto para ser pastor. As únicas pessoas que já tinham me perguntado alguma vez sobre essas coisas foram meus presbíteros, porque eles amavam a mim e a minha família.
                Para ser sincero, eu não dou a mínima para o fato de pastorear uma igreja grande. Gosto muito do meu ministério, especialmente de pregar a Bíblia e ajudar jovens plantadores de igreja a correr atrás dos seus sonhos. Mas muito mais do que qualquer coisa que tenha a ver com o trabalho da igreja, eu prefiro mesmo é levar minha filha mais velha para tomar café fora toda terça-feira antes da escola, andar de bicicleta com meu filho mais velho, levar meu filho do meio para olhar bichos no pet shop, levar minha filha mais velha para bater pernas, ficar abraçado com meu filho caçula e uma noite por semana, poder sair com minha mulher, que tem sido o amor da minha vida desde que nós conhecemos quando eu tinha 17 anos.
                Normalmente, trabalho duro por muitas horas, mas tento fazer o máximo possível do trabalho a partir da minha casa. Geralmente janto com minha família todas as noites, com exceção da sexta-feira que reservo semanalmente para a minha esposa, e do domingo, porque prego nos cultos da noite.
                As perguntas simples do Larry atingiram meu âmago como pessoa. Eu sou um cristão em primeiro lugar, marido em segundo, pai, em terceiro e pastor em quarto. Gosto do ministério mas vivo para Jesus e minha família, por isso meus sermões são cheios de tiradas cômicas sobre os meus cinco filhos. Aprendi, com o passar dos anos, a não proteger os meus filhos do meu trabalho,mas, pelo contrário, a leva-los comigo para fazer visitas a hospitais e outros lugares, para que aprendam a compartilhar o Evangelho e orar pelas pessoas, porque meus filhos são meus primeiros discípulos e eu tenho prazer neles.
                Larry falou abertamente sobre algumas épocas difíceis que teve em sua igreja no decorrer dos anos e gentilmente pediu-me que construísse uma igreja que eu pudesse pastorear pelo resto da minha vida, mantendo a saúde e com a família sadia. Disse que, à medida que meus filhos fossem crescendo, eles precisariam que eu estivesse presente a suas competições esportivas e atividades, mas que meu nível de energia diminuiria conforme eu fosse envelhecendo, de modo que isso não me permitiria manter o mesmo ritmo frenético que eu havia traçado para mim quando tinha vinte anos.
                À medida que ele falava, fiz muitas anotações, porque o Espírito Santo estava falando através do meu irmão em Cristo, que estava me dando permissão para fazer aquilo que eu sabia ser o certo, mas que me sentia culpado de executar, porque parecia ser egoísmo meu. Mesmo assim, já havia passado pela minha cabeça que, em muitas igrejas, todas as coisas e todas as pessoas recebem cuidados, com exceção do pastor e sua família, que não são protegidos como um bem importante.
                Larry me aconselhou a não criar uma igreja que fosse, essencialmente um monstro gigantesco que viesse a devorar a minha alegria, meu casamento e meus filhos. Ele explicou-me que conseguia liderar uma igreja grande, ao mesmo tempo em que continuava ser o treinador do time do filho, sem perder um jogo sequer. Isto realmente fez sentido pra mim, porque meu pai era trabalhador braçal, gesseiro sindicalizado, que chegava em casa depois de um dia de trabalho que acabaria com as costas de qualquer um e, mesmo assim, arrumava tempo para treinar o meu time de beisebol, com suas botas de bico de aço ainda nos pés, e para passar um tempo com seus três filhos e duas filhas. Realmente eu preferia uma vida nos palcos com minha mulher e filhos do que uma vida no palco sem eles.
                Larry me aconselhou a não começar o culto de sábado à noite, que eu havia planejado. Raciocinou comigo que, em alguns anos, meus cinco filhos passariam a semana na escola e eu o domingo na igreja, pregando o dia todo. Isso deixaria apenas o sábado como o único dia da semana em que toda a família poderia estar reunida. Se eu tivesse um culto de sábado a noite para pregar, passaria o dia me preparando e sacrificaria o único dia inteiro em famíia.
Além disso, como a maioria dos  líderes da igreja estava se casando e tendo filhos, eles também estariam sacrificando seu tempo e família, e assim, acabaríamos tendo uma igreja grande, marcada por líderes com casamentos e filhos negligenciados. O conselho dele foi tremendamente oportuno e me salvou de recomeçar um novo ciclo de esgotamento desnecessário, do qual eu vinha tentando escapar. Simplesmente, ele estava me dando as instruções sobre os princípios cardinais para criar uma igreja madura.” 

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